quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

UM RECADO

Momento único. O melhor momento de todos os tempos. De todos os tempos da história do Jornalismo. Ou da CULTURA. Pois, todos nós dependemos da História. A HISTÓRIA, aquela que ninguém vê. Aquela que todos desprezam. Eu, você, todos nós somos a HISTÓRIA. GRAÇAS A DEUS? GRAÇAS A QUEM? A TODOS NÓS. Espero, sinceramente, que tudo isso seja esclarecido um dia. Além dos intelectuais falsos que nada sabem e só interpretam.
Só interpretam....

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O virtuose e sua alta capacidade intelectual.

Ideias para engenhosas frases eram paridas pela fértil mente de Renato naquele dia de sol no Rio de Janeiro. O caráter das palavras combinadas era tão raro - tão singular - que nem mesmo ele saberia dizer se aquele trabalho tinha alguma qualidade. A  verdade é que Renato sofria com os delírios de um grande artista. Ao seu quarto, vinham sereias, luas falantes, sóis azuis, as mais belas mulheres, os maiores cantores, os mais exóticos animais e tudo o que a imaginação de um grande artista - importante ressaltar essa qualidade - poderia criar. Um mundo paralelo; sem igual no planeta Terra.

Com isso, em seu caderno eram escritas as mais belas e transcedentais palavras - nenhuma delas publicadas em um livro ou jornal;  mas escritas. Uma pena que neste país não se saiba valorizar a qualidade de um virtuose, um virtuose!!! Era assim que Renato se via. UM VIRTUOSE!!! Desses que são raros; que possuem um talento nato, sem a necessidade de treinos, práticas ou ensinamentos. Os pensamentos, caros amigos, apenas saíam direto do cérebro de Renato para se transformarem em palavras no seu caderno. Naquelas páginas, havia de tudo. Poesia, música, peças de teatro, filmes sobre o futuro, filmes sobre o passado e filmes que nunca existiram.

Uma pena - como podem perceber, que neste país o artista não seja reconhecido. Se fosse na Europa, ah se fosse na Europa...Mas não era. A cidade era o Rio, o país: Brasil. Terras tropicais, pensamentos tropicais. Atitudes tropicais. E Renato não compreendia isso; ou se recusava. Sobre ele pairava uma aura de superioridade - aliás, muito justa - sobre os outros seres humanos da cidade do Rio de Janeiro. Os outros eram apenas índios; índios? Uma mistura de negros, índios e outras raças inferiores. Pobre Renato. Descendente de europeus - da França ou da Suiça - ele não estava acostumado ao clima da cidade. Não ia à praia, não gostava de futebol e tampouco de samba.

Sua única diversão era ficar de frente para as folhas de seu caderno, em seu mundo paralelo; sem engarrafamentos, poluição, miséria, violência ou seres inferiores. Esses seres inferiores... A culpa era deles, tinha toda a certeza. Afinal de contas, não é assim que um artista deve ser tratado. Não é assim!!! Paciência, pensava Renato, o que resta é escrever. E escrevia. As mais belas palavras, os mais belos contos e as mais profundas poesias. Todas eram resultado de uma grande fertilidade de ideias. De causar inveja a Fernando Pessoa, Mozart, Godard e Niemeyer. Um artista. Um virtuose!!! UM VIRTUOSE!!!

Acordou Renato naquela manhã sem muita vontade de escrever. Percebeu que se perdeu em seu mundo; sem violência, miséria, poluição ou engarrafamentos. Os seres inferiores, eles haviam dominado os pensamentos de Renato. Não conseguia se livrar deles; não mesmo. Estavam em todos os cantos: na cozinha, no banheiro, ao lado de sua cama, nos seus pensamentos. Pobres pensamentos. Pobre Renato; demorou tanto para encontrar o mundo real - cheio de miséria, poluição, violência e engarrafamentos - que também não viu a praia, o sol, a lua, a música, as mais belas mulheres e os mais exóticos animais. Todos eles à sua frente; não em uma página de caderno, nas palavras escritas de maneira desconexas, sempre escritas e nunca lidas.

Renato lembrou-se da sua mãe, que sempre lhe dizia:
- Saia de casa, meu filho. Saia de casa e viva a sua vida. Conheça o mundo e seja independente.

Era tarde demais para Renato. Ele acreditava mais em seu caderno do que no mundo atrás da porta de casa. Tarde demais. Uma pena, grande pena. Tudo culpa dos seres inferiores. Quem são eles? Nada fizeram, resmungou Renato. Nada!!! O virtuose aqui sou eu. Eu!!! Eu!!!

Só existia Renato no mundo de Renato. O caderno, o quarto, o Rio de Janeiro, a Europa. Todos pertenciam a Renato. Só existia ele no mundo. Mais ninguém.

sábado, 28 de novembro de 2009

O Rio de Janeiro continua...

Lindo? Não sei se é saudável - ou, ao menos, original - cair nos estratagemas dos clichês. Foram os dias fora; a cidade é diferenciada, não sei se apenas por causa da fama. Por ser um grande centro. Entretanto, quase posso garantir - quase, essa palavra deve ser ressaltada - que há mais...

Claro, não é - e "nunca será" - uma cidade simples. Não é fácil imitá-la; mas também não é necessário. Observo apenas que, como um grande centro brasileiro, tem aspectos de uma cidade de todos. As misturas são mais frequentes; as interações mais naturais.

Até mesmo por causa disso, é uma cidade cheia de labirintos. Becos, ruelas, barracos e favelas. E elas estão no alto - sempre no alto. Têm até luzes próprias. Diferentes, mais charmosas, bonitas e cariocas. A verdade, porém, é que o Rio não continua. Não é mais o Rio - é outra cidade, que já conheço. Conheço mesmo? Talvez não.

Há quem nunca tenha ido ao samba - e o Rio é a terra do Samba!!! Na Portela, em Madureira, Vila Isabel ou Duque de Caxias. Uma observação: Caxias é outra cidade, não é Rio de Janeiro; mas, às vezes, parece ser mais carioca do que o próprio Rio. O mesmo falo sobre Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados...São João de Meriti. Está tudo aqui, bem perto, tudo ali.

Apenas uma observação; as fronteiras municipais são apenas desenhos em um mapa. O mesmo acontece com as estaduais. As continentais? As continentais são apenas uma parte azul no mapa. Nada que não seja impossível ser superado. Fronteiras, elas existem? Existiram? Não são elas apenas convenções; assim como as datas e as horas?

O que difere Olaria de Copacabana; ou a China do Havaí? Não seriam apenas essas virtuais e convencionadas fronteiras? Pequenas, medíocres, virtuais e idealizadas fronteiras. É mais complicado do que isso. Um país ou uma cidade não acaba em suas fronteiras; vai além - muito além. Ou não somos todos um pouco americanos quando tentamos nos assemelhar aos astros de Hollywood?

Alguns escolhem outro caminho; preferem imitar, copiar ou se inspirar na Europa: Paris, Berlim ou Londres. Fora de moda, fora dos eixos. Hoje é o tempo de Shangai, Pequim...Os pontos de referência são modificados; logo, modificam-se os costumes. Modificam-se as roupas, os hábitos, as comidas. Nada que já não tenha acontecido antes.

O importante, porém, é que o Rio de Janeiro continua...Continua aqui, lá, em qualquer lugar. O Brasil continua. País tropical, país tropical. Crenças, ciência, praia, samba, futebol, Carnaval...O Carnaval...Está chegando, é logo depois do Natal. Está na hora de esquecer o que te aflige e colocar o pé na rua. Para o bem e para o mal.

* Esta foi apenas uma pequena reflexão sobre os questionamentos referentes às trocas de identidades culturais e às confusões resultantes destes movimentos. Ou seja, trata-se apenas de um ensaio sobre costumes da sociedades analisados sob o ponto de vista descontínuo de um ser que não vê a paisagem do alto de um farol; mas ao lado do povo enquanto se desvia de pedintes na Uruguaiana.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

De quando as chegadas e as partidas se confundem...

Uma pausa. Paremos, antes de tudo - antes de ler qualquer coisa ou tentar pensar em interpretações; sejam elas as mais absurdas ou as próximas da verdade. E se tu ainda andas apressado, tento te ajudar na desaceleração. Chegou o momento de desacelerar...

Mais reticências... Apenas com o intuito de contribuir para essa pequena pausa...

Voltemos, então, à realidade; seja ela qual for. Conto a história de um retorno; o retorno de um sujeito que nunca foi - sempre esteve no mesmo lugar. Isso já não fazia a menor diferença na tarde daquele dia de verão. O sol estava mais perto da terra; talvez por causa de algum tipo diferente de movimento do planeta. As ruas estavam iluminadas, o verde estava mais verde, e assim por diante... Interrompo tais descrições apenas para não causar estranheza. Elas enfadam alguns e desgastam outros. No fim das contas, poucos as compreendem; ou, serei mais humilde: poucos param, param e param... Para tentar.

Sei que disse, há pouco tempo, adeus a essas experimentações - sei que disse isso. Mas, de vez em quando, é preciso se desligar um pouco - sair da realidade para observá-la de fora. Então, é simplesmente por causa disso que utilizo esses estranhos recursos; peço o perdão mais uma vez. Não quero excluir ninguém, e tampouco me colocar em uma posição diferente da ocupada pelo leitor.

A verdade é que houve um retorno. O retorno, apenas, espacial. Houve apenas um deslocamento físico de um ponto para outro. Retorno mesmo - um verdadeiro e autêntico retorno -  nunca vai acontecer. Não há mais ponto de partida - o referencial se perdeu. Já não existia antes, mas isso agora está mais claro. Não há mais retorno porque não há partida. E não há partida porque não há um ponto de partida. Sendo assim, também não há um ponto de chegada. Agora, chegada e partida se confundem - acontecem ambas  no mesmo lugar - estão em todos os lugares.

O mais curioso perguntaria se comemoro ou lamento essa fusão dos conceitos; respondo que não sei. Comemoro, claro:  partidas e retornos - com ou sem deslocamentos - são necessários. Enriquecem., fazem qualquer um enxergar tudo de maneira diferente. Há uma evolução - por mais que, no momento chave, a gente coloque tudo a perder. Bem como foi feito recentemente - coisas da juventude. Admito o erro, peço desculpas - se é que preciso pedi-las - e sigo em frente. Desculpas? Melhor não. Uma segunda chance, não sei exatamente se houve uma primeira. Peço uma segunda? Não peço, melhor deixar acontecer - não se precipitar... Sei esperar e também sei esquecer.

Esqueçamos. Voltemos ao suposto retorno. Disse que ele não aconteceria, ou disse que não sabia quando ele aconteceria. Não cumpri uma promessa. O que posso prometer - agora - é que não vou mais fazer promessas. Posso, entretanto, negar todas essas palavras daqui a um minuto - ou no próximo post. Tudo pode mudar a qualquer momento. Uma pequena atitude pode modificar tudo; e, assim, toda a realidade de ontem não é mais a mesma. Um exemplo:

Anteontem acordei em uma cidade; no dia seguinte acordei em outra e, à noite, dormi em uma terceira. Tantas cidades, tantos locais, tantas pessoas. Os movimentos beiram a velocidade da luz. Viajamos agora de avião e não mais em carruagens. No avião a gente não tem tempo para conhecer nossos companheiros de viagem. Não há tempo para conversar, olhar pela janela. Pela janela só vejo nuvens, é complicado estar acima das nuvens - complicado mesmo.

O conforto. Ele é bom; não podemos mentir. Mas não escreve história. Nenhuma revolução, ou mudança, pode ser feita diante da tela de um computador. Nenhuma. Não que eu deseje revoluções- elas já aconteceram. Aqui mesmo nesta página, caso alguns dos senhores se lembrem. Mas elas ocorrem com cada um - isso é verdade.

O fato é que, hoje, enxergo a realidade do lado de fora. Tudo é diferente - sou parte da plateia, mas também posso invadir o espetáculo. Aliás, no teatro, qualquer um pode fazer isso. Não sei por que ainda não fizeram; mas sempre há a possibilidade de invadir o espetáculo - é um risco que não existe no cinema. Se o que vejo diante de mim é um espetáculo - é um espetáculo teatral. E se o invado, posso ser expulso da casa. Até agora isso não aconteceu; os atores estão preocupados demais com as suas interpretações para enxergarem isso.

Engraçado; tudo está mais fácil... Tomara que sempre continue assim - cada espaço com o seu tempo e cada um com a sua velocidade. Neste momento, estou quase a parar. Em vez de scraps, posts ou e-mails; cartas escritas a mão. E enviadas por mensageiros - onde estou ainda não existe o serviço postal. Sorte minha.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Algumas pequenas questões relativas aos futuros tempos dessa história

Há um mês e poucos dias os assuntos dessa página eram outros; há cinco meses ela tinha outro nome. Hoje, tudo é diferente: nomes, palavras, ideias e pensamentos. Mudaram os locais, mudaram as regras, mudaram até o estilo. Esse aí deixou de ser tão apegado ao mundo material apreendido por meio dos sentidos para analisar os pensamentos; ou seja, deixou de relatar tudo o que já viam para se aprofundar nos recônditos espaços vazios - ou não - de nosso cérebro. Surgiu, então, uma dúvida sobre os caminhos a serem seguidos de agora em diante.

Iremos atrás de nossas sensações ou vamos tentar desvendar os segredos que não são ditos; os segredos que ficam guardados em nosso cérebro? Aqueles que - por razão ou outra - não são externados, não são ditos ou até mesmo pensados. Uma série de lógicas ou ilógicas colocações filosóficas ou não sobre a realidade e as atitudes de cada um, vistas de um modo quase objetivo, mesclando adjetivos e substantivos nas mesmas frases cheias de opiniões veladas. Será essa a resposta para a nossa crise estilística? Mais: será que há, agora, uma crise estilística? Será que o público tem direito a ler o que deseja, ou simplesmente o artista - se é que existe um - deve criar sem se importar?

Mas ora, vamos analisar. Se o artista faz arte, para quem ele a faz? Para si próprio? Não seria isso um grande egoísmo? E mais: qual é o fim da arte que um artista faz para si próprio? Satisfazer apenas a si próprio? Qual seria a graça - ou melhor, a utilidade disso? A arte precisa ser útil, os escritos precisam ter sentido? Questões, questões sem resposta que afligem quem as faz...E quem as faz não tem apenas essas questões na cabeça; muitas outras estão por vir, agora ou no futuro - futuro este que já é passado, diriam alguns mais atentos.

E voltamos a nos perguntar se o que fazemos é o correto. Se as atitudes são corretas, se elas devem ser estudadas, se elas devem ser atitudes ou reações a pensamentos. Ou seria o certo o contrário? Os pensamentos devem refletir as atitudes que já foram? Não seríamos nós um pouco mais espontâneos? Não seríamos todos nós um pouco mais verdadeiros, menos falsos e sinceros? O que importa? Essas são apenas mais algumas questões de um texto sem estilos...

Nos percamos, então, nesse pequeno e confuso assunto: o estilo. Será que há um estilo a ser seguido, um padrão correto? Os relativistas dizem que não; todos nós concordamos. Mas será que não há espaços para inovações? E onde elas devem ocorrer? No âmbito das pequenas empresas? As inovações, aliás, têm espaço nas relações comerciais? Relações comerciais são coerentes com inovações? Negócios e lucro são os caminhos para a evolução do homem como pensador e criador? Não, temos quase a certeza de que não.

O lucro é compatível com as evoluções humanas tecnológicas, que nem sempre são sinônimo de qualidade. Mas buscamos qualidade? E a nossa sobrevivência? A arte também não é sobrevivência? Ou ela é apenas uma arte descompromissada com a realidade atual? Com a realidade? Ou será que a realidade é apenas uma realidade paralela para todos? Há uma realidade? Ela não é diferente para cada um? Há uma realidade para cada um? Será que o azul de um é o mesmo azul de outro? Será que o verde é o mesmo verde para todos? Nossos olhos não enxergam diferente? Todas as nossas sensações não são diferentes?

Tantas questões, e você aí parado deixando a vida te levar...Talvez seja melhor assim mesmo não é? Menos preocupações; a vida sob um aspecto reacionário. Enquanto isso, todos nós nos preocupamos com o nosso futuro, que já é passado e ainda vai ser presente.